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Quando o corpo reage à comida (e não é "frescura")

  • clinicarenovaser
  • 7 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura
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O Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo (TARE) é uma condição que ultrapassa o simples “não gostar de certos alimentos”. Ele reflete uma resposta real do corpo e do sistema nervoso diante da experiência de se alimentar.


Reconhecido desde o DSM-V (2013), o TARE foi descrito por Almeida et al. (2020) como um quadro que pode surgir por:


  • Falta de interesse pela alimentação;
  • Reações intensas às características sensoriais dos alimentos (textura, cor, cheiro, temperatura);
  • Medo das consequências de comer, como engasgar, vomitar ou sentir dor.

Essas respostas estão profundamente ligadas à interocepção, o sentido interno que nos ajuda a perceber sinais como fome, saciedade e desconforto.

Em pesquisa recente, Naureen Hunani e Kelly Maher (2024) observaram que 93% das pessoas com TARE relatam alterações interoceptivas, sentindo o corpo reagir com dor, náusea, medo ou até silêncio completo diante da comida.

O TARE é um desafio sensorial e emocional

Comer é uma experiência multissensorial: envolve visão, tato, olfato, paladar, audição e propriocepção. Quando o cérebro interpreta algum desses estímulos como perigoso, o sistema nervoso ativa respostas de defesa. Por isso, a pessoa com TARE não está “escolhendo” evitar, o corpo dela está protegendo-se.

O papel das diferentes abordagens terapêuticas

Profissionais especializados em alimentação — como nutricionistas, terapeutas de integração sensorial e psicólogos — têm desenvolvido estratégias eficazes e complementares para ampliar a segurança alimentar e a confiança corporal.

Esses recursos podem incluir:


  • Graduação sensorial de texturas, temperaturas e cheiros;
  • Regulação do ambiente (iluminação, sons, utensílios);
  • Exercícios de consciência interoceptiva para reconhecer sinais de fome, saciedade e ansiedade;
  • Treinos de autonomia e previsibilidade nas escolhas alimentares.

O olhar da Terapia Ocupacional

A Terapia Ocupacional, especialmente sob o enfoque da Integração Sensorial e da Interocepção, tem papel central em ajudar a pessoa com TARE a reconectar-se com o próprio corpo.


Por meio de recursos clínicos baseados em evidências, o terapeuta ocupacional:


  • Identifica os padrões sensoriais que interferem na alimentação;
  • Trabalha na regulação emocional e fisiológica;
  • E cria condições para que o corpo volte a sentir-se seguro ao comer.

Quando as sensações internas passam a ser compreendidas e respeitadas, a alimentação deixa de ser um campo de medo e passa a ser um caminho de reencontro com o prazer e a autonomia.


Referências
ALMEIDA, Mariana M. M. S.; MOREIRA, Luiza A. C.; LEAHY, Rachel M. Avoidant Restrictive Food Intake Disorder: What is the eating disorder? Residência Pediátrica, v. 12, n. 2, 2022. Universidade Federal da Bahia. Available at: https://residenciapediatrica.com.br
HUNANI, Naureen; MAHLER, Kelly. An Affirming Approach to Supporting Interoception, Feeding Challenges & ARFID. Online professional course. Kelly Mahler Interoception Program, 2024. Available at: https://www.kelly-mahler.com/product/on-demand-course-an-affirming-approach-to-supporting-interoception-feeding-challenges-arfid/
. Accessed in: October 2025.
 
 
 

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